Posted by : Artur Kenichi sexta-feira, 21 de junho de 2013

PRINCÍPIO DIVINO

3a Edição - 1994

Reverendo SUN MYUNG MOON

PARTE I
Capítulo I

O Princípio da Criação

Através da história, o homem tem lutado para resolver as questões fundamentais da vida e do universo. Contudo, ninguém foi capaz de dar respostas satisfatórias, pois ninguém tinha conhecimento do plano original para a criação do homem e do universo. Além disso, restava uma questão fundamental para ser tratada. Uma questão não tanto sobre o fato da existência, mas sobre a sua causa. Questões sobre a vida e o universo, é claro, não podem ser resolvidas sem se conhecer a natureza de Deus. O "Princípio da Criação" trata destas questões fundamentais.
SEÇÃO I
As Características Duais de Deus
e o Seu Mundo da Criação
1. AS CARACTERÍSTICAS DUAIS DE DEUS
Como podemos nós conhecer as características de Deus, que é um ser invisível? Podemos conhecê-las, observando o mundo de Sua criação. Por esta razão, Paulo disse:

"Desde a criação do mundo, as perfeições invisíveis de Deus, o Seu sempiterno poder e divindade, tornaram-se visíveis à inteligência por meio das coisas criadas; de modo que eles são indesculpáveis." (Rm 1.20)

Assim como a obra de um artista é a manifestação visível da natureza invisível de seu autor, toda a Criação é um "objeto substancial" da deidade invisível de Deus, o Criador. Sua natureza é demonstrada em cada criação. Assim como nós podemos sentir o caráter de um autor através de suas obras, podemos perceber a deidade de Deus pela observação de Sua criação.
Para conhecer a natureza da deidade de Deus, vamos examinar os fatores comuns, que podem ser encontrados em Sua criação. Uma criação, seja qual for, não pode vir a existir até que se realize o relacionamento recíproco entre positividade e negatividade, não somente dentro de si mesmo, mas também em relação a outros seres. Por exemplo, partículas, que são os componentes essenciais de toda matéria, têm também positividade e negatividade, ou neutralidade, sendo esta produzida quando o positivo e o negativo se neutralizam. Quando as duas características entram em relacionamento recíproco, estas partículas formam um átomo.
Todo átomo assume as características de positividade ou negatividade e, à medida que as características duais em cada átomo produzem relacionamentos recíprocos com outros átomos, eles formam moléculas materiais. A matéria, que é formada desta maneira - de acordo com o relacionamento recíproco entre estas duas características - torna-se nutrimento para animais e plantas, quando é absorvida por eles.
Todas as plantas existem e se multiplicam através de um relacionamento que ocorre entre estame e pistilo, enquanto o mesmo ocorre no mundo animal através de relacionamento entre macho e fêmea.
Com respeito ao homem, Deus criou um homem (masculino), Adão, no início; então, vendo que não era bom que o homem estivesse só (Gn 2.18), fez a mulher (feminino), Eva, como objeto de Adão e, pela primeira vez, Deus viu que Sua criação era "muito boa" (Gn 1.31). Assim como um íon positivo ou negativo, mesmo depois da dissociação, é de fato a combinação de próton (positivo) e elétron (negativo), o estame e o pistilo da planta, e o macho e a fêmea do reino animal, podem também existir somente através de um relacionamento recíproco entre suas essencialidades duais de positividade e negatividade. Assim também, há uma característica feminina latente em todo homem, e uma essência masculina em toda mulher. Os aspectos de todas as coisas na criação existem em uma base recíproca, tal como dentro e fora, interno e externo, anterior e posterior, direito e esquerdo, superior e inferior, alto e baixo, forte e fraco, longo e curto, largo e estreito, leste e oeste, sul e norte. Isto é assim porque todas as coisas foram criadas para existirem através de um relacionamento recíproco entre suas essencialidades duais.
Como vimos, todas as coisas existem através de um relacionamento recíproco entre as essencialidades duais de positividade e negatividade. Devemos, além disso, conhecer o relacionamento recíproco entre outro par de essencialidades duais, que é mais fundamental ainda do que o de positividade e negatividade. Tudo na existência tem tanto forma externa como caráter interno. A forma externa é visível e reflete o caráter interno, que é invisível. Embora o caráter interno não possa ser visto, ele assume uma certa forma de modo que a forma externa vem a assemelhar-se ao caráter interno quando aparece numa forma visível. O "caráter interno" e a "forma externa" referem-se aos dois caracteres, que são os dois aspectos relativos da mesma existência. Neste relacionamento, a forma externa pode também ser chamada de "segundo caráter interno", de modo que juntos nós as chamamos de "características duais" ou "essencialidades duais".
Podemos tomar o homem como um exemplo. O homem é formado de corpo, a forma externa, e mente, o caráter interno. O corpo visível se assemelha à mente invisível. O corpo assume a forma que se assemelha à forma projetada pela mente. Eis a razão porque se podem julgar o caráter e o destino invisível do homem por sua aparência externa. Chamamos à mente de "caráter interno", e ao corpo de "forma externa". Aqui também, sendo nossa mente e nosso corpo os dois aspectos relativos do mesmo homem, o corpo pode ser chamado de "segunda mente", ou uma duplicação da mente. Juntos, damos a elas o nome de "características duais do homem". Agora podemos entender o fato de que tudo existe através de um relacionamento recíproco entre as duas características de caráter interno e forma externa.
Como é, pois, o relacionamento entre o caráter interno e a forma externa? O caráter interno invisível é a causa e está na posição subjetiva, enquanto a forma externa visível é o efeito do primeiro e está em uma posição objetiva para com ele. Desta forma, o relacionamento recíproco que existe entre os dois é de interno e externo, causa e efeito, sujeito e objeto, ou vertical e horizontal. Usemos mais uma vez o homem como exemplo. Já que mente e corpo correspondem a caráter e forma, o corpo é uma cópia da mente e deve estar completamente sob seu comando. Desta forma o homem pode dirigir sua vida de acordo com sua vontade e finalidade. Assim mente e corpo também assumem o relacionamento recíproco de interno e externo, causa e efeito, sujeito e objeto ou vertical e horizontal.
De maneira semelhante, todas as coisas da Criação, embora possam variar em dimensão, têm um caráter interno invisível, que corresponde à mente; sendo esta a causa e o sujeito, que controla a forma externa que corresponde ao corpo humano. Este relacionamento entre a mente e o corpo faz com que a criação individual possa manter sua existência como uma criatura, que tem uma determinada finalidade. O animal contém um aspecto que corresponde à mente humana; sendo este o sujeito e a causa, que, orientado em direção a uma determinada finalidade, faz com que o animal possa viver de acordo com a finalidade de seu ser individual. A planta também é formada de caráter interno, que lhe possibilita manter sua função orgânica.
Os homens podem ser unidos, porque a mente é um fator comum em cada pessoa. De modo semelhante, os íons positivos e negativos são unidos para formar um certo material, porque, dentro de cada íon, há aspectos do caráter interno e forma externa, que tendem a unir-se, formando a molécula. Assim também, quando um elétron gira em torno de um próton para formar um átomo, é porque ambos contêm um aspecto de "caráter" que se dirige para a finalidade da construção do átomo.
A ciência moderna nos diz que as partículas que formam o átomo são feitas de energia. Sabemos que dentro da própria energia deve haver também um atributo de "caráter" que se dirige para a meta da construção de uma partícula. Além disto, devemos procurar um ser absoluto, como a causa última do mundo todo da realidade. Esta causa com caráter e forma últimos e únicos, deu existência a toda energia. Esse ser último deve ser a Causa Primeira de todos os seres, contendo um caráter e uma forma absolutos e subjetivos. A esta Causa Primeira do nosso mundo existente damos o nome de Deus. Ao caráter e forma subjetivos de Deus damos o nome de Seu "caráter essencial" e "forma essencial". Como Paulo indicou, quando examinamos os fatores que toda criação tem em comum, chegamos finalmente a compreender que Deus é a Causa Primeira do mundo da Criação, e que Ele existe como o sujeito absoluto, tendo características tanto do "caráter essencial" como da "forma essencial".
Já esclarecemos o fato de que tudo na Criação existe somente por causa de um relacionamento recíproco entre suas características duais de positividade e negatividade. Concluímos, naturalmente, que Deus, sendo a Causa Primeira de toda a Criação, também existe por causa de um relacionamento recíproco entre as características duais de positividade e negatividade. Gênesis 1.27 diz: "E criou Deus o homem à Sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou". Isto também nos explica que Deus é o sujeito absoluto, existindo em Suas características duais de positividade e negatividade.
Qual é o relacionamento entre as características duais de caráter e forma e as características duais de positividade e negatividade?
Fundamentalmente o caráter essencial de Deus e Sua forma essencial assumem um relacionamento recíproco com Sua "positividade essencial" e "negatividade essencial". Por isso, a positividade essencial e a negatividade essencial de Deus são os atributos de Seu caráter essencial e forma essencial. Assim, o relacionamento entre positividade e negatividade é semelhante ao que existe entre caráter e forma.
Em conseqüência, a positividade e a negatividade também têm um relacionamento recíproco existente entre o interno e externo, causa e efeito, sujeito e objeto, vertical e horizontal. Este é o motivo pelo qual está escrito na Bíblia que Deus criou a mulher, Eva, como um objeto, tomando uma costela do homem, Adão, que era o sujeito (Gn 2.22). Aqui à positividade e à negatividade de Deus damos respectivamente o nome de "masculinidade" e "feminilidade".
O universo, que foi criado tendo Deus como a figura central, é semelhante a um homem, que foi criado tendo sua mente como centro. O universo é um perfeito corpo orgânico, criado completamente de acordo com a finalidade da criação de Deus. Por esta razão, o universo como um corpo orgânico, tem o seu próprio caráter interno e forma externa, sendo que Deus é o seu caráter interno, enquanto o universo físico é a sua forma externa. É por isso que Deus disse que o homem, que é o centro do universo, foi feito à Sua própria imagem (Gn 1.27). Antes de criar o universo, Deus permanecia como o sujeito masculino interno, e Ele criou o universo como Seu objeto feminino externo. Em I Coríntios 11.7 diz-se: "O homem é a imagem e glória de Deus", o que confirma a veracidade desta teoria. Já que Deus é o sujeito masculino de caráter interno, nós O chamamos de "Nosso Pai", enfatizando Sua natureza masculina.
Em resumo, sabemos que Deus é o sujeito formado das características duais de caráter essencial e forma essencial. Ao mesmo tempo, Ele é o sujeito formado das características duais de masculinidade e feminilidade, sendo que a primeira representa Seu caráter essencial e a segunda representa Sua forma essencial. Em relação à Criação total, Deus é o sujeito masculino, representando seu caráter interno.
2. RELACIONAMENTO ENTRE DEUS E O UNIVERSO
Aprendemos até agora que toda e qualquer criação é objeto substancial de Deus, que é a forma manifesta das essencialidades invisíveis de Deus. Todo objeto substancial é chamado de "Encarnação de Verdade Individual". O homem, sendo o objeto substancial de Deus, que foi criado como Sua imagem, é chamado de "Encarnação de Verdade Individual em Imagem". Já que toda a criação, exceto o homem, é o objeto simbólico de Deus criado como Sua imagem indireta, é chamada de "Encarnação de Verdade Individual Simbólica".
Qualquer encarnação de verdade individual, sendo uma substância que manifesta as essencialidades duais de Deus, pode também ser dividida em um elemento positivo e um negativo, sendo que o primeiro se assemelha à masculinidade, como o caráter essencial de Deus, e o segundo se assemelha à feminilidade, como a forma essencial de Deus. Além disto, cada encarnação de verdade individual é um objeto substancial de Deus; por isto, cada uma não somente reflete as essencialidades duais de Deus de caráter e forma no ser individual, mas também cada uma tem em si mesma as essencialidades duais de positividade e negatividade.
Para resumir o relacionamento entre Deus e o universo, examinado do ponto de vista de suas características duais, o universo é o objeto substancial de Deus, formado de encarnações de verdades individuais. Estas são as manifestações das características duais de Deus, tanto em imagem como em símbolo, de acordo com o Princípio da Criação. Isto é, o homem é o objeto substancial de Deus, com Sua dualidade manifestada como "imagem direta", enquanto todas as coisas do universo são objetos substanciais de Deus com Suas características duais manifestadas como "imagem indireta". O relacionamento entre Deus e o universo, no relacionamento entre caráter e forma, é o mesmo que o relacionamento entre o interno e externo, causa e efeito, sujeito e objeto, vertical e horizontal.
Examinemos a teoria fundamental do Livro das Mudanças (I Ching), que é o centro da filosofia oriental, do ponto de vista do Princípio da Criação. Este livro frisa que o fundamento do universo é Thé-gug (O Último), e deste vem Yang e Yin (positividade e negatividade). De Yang e Yin vem os "O-héng" (cinco elementos: metal, madeira, água, fogo e terra). Todas as coisas foram criadas dos O-héng, a positividade e a negatividade, tomadas juntas, são chamadas "Tao". O "Tao" é definido como o "caminho" ou "verbo". Isto é, Thé-gug produziu o Verbo (princípio criativo) e o Verbo produziu todas as coisas. Por isso, Thé-gug é a Primeira e Última causa de toda existência, é o núcleo unificado de positividade e negatividade.
Comparando isto com a Bíblia (Jo 1.1-3). "O Verbo era Deus. . . e todas as coisas foram criadas por Ele", podemos ver que Thé-gug, o sujeito que contém positividade e negatividade, representa Deus, que é sujeito e que contém as essencialidades duais.
De acordo com o Princípio da Criação, o Verbo (Logos) é também formado de essencialidades duais, e assim, o universo, que foi criado pelo Verbo, também contém essencialidades duais. Conseqüentemente, as afirmações do Livro das Mudanças de que "a positividade e a negatividade juntas constituem o Verbo", são válidas.
Contudo, o Livro das Mudanças, que observa o universo apenas do ponto de vista de positividade e negatividade, não explica o fato que todas as coisas têm caráter interno e forma externa dentro de si. Desta maneira, verificou-se apenas o fato que Thé-gug é o sujeito que contém positividade e negatividade, e não se explica que Thé-gug é originalmente o sujeito que contém as características duais de caráter essencial e forma essencial. Por isso, o Livro das Mudanças não revelou que Thé-gug é um Deus de personalidade.
Aqui aprendemos que o fundamento da filosofia oriental contido no Livro das Mudanças, só pode ser esclarecido segundo o Princípio da Criação.
SEÇÃO II
A Energia Primária Universal, a Ação de Dar e Receber
e o Fundamento de Quatro Posições
1. A ENERGIA PRIMÁRIA UNIVERSAL
Deus é o criador de todas as coisas. Ele é a realidade absoluta, eternamente auto-existente, transcendente de tempo e espaço (Ex 3.14). Por isso, a energia fundamental de Seu ser também deve ser absoluta e eternamente auto-existente. Ao mesmo tempo, Ele é a fonte da energia que faz com que todas as coisas possam manter sua existência. Damos a esta energia o nome de "Energia Primária Universal".
2. A AÇÃO DE DAR E RECEBER
Quando um sujeito e um objeto de um ser estão desempenhando uma ação de dar e receber, depois de terem estabelecido um relacionamento recíproco entre si, através da Energia Primária Universal, é produzida a energia necessária para manter a existência daquele ser. Esta energia fornece força para a existência, multiplicação e ação. O processo que gera a necessária energia é chamado "ação de dar e receber". Portanto, a Energia Primária Universal e a força de ação de dar e receber formam um relacionamento recíproco de causa e efeito, interno e externo e subjetivo e objetivo. Conseqüentemente, a Energia Primária Universal é uma força vertical, enquanto a força de dar e receber é uma força horizontal.
Investiguemos mais ainda Deus e Sua criação, do ponto de vista da Energia Primária Universal e da ação de dar e receber.
Deus contém em si as essencialidades duais, que existem para sempre. Através da Energia Primaria Universal, estas duas formam um relacionamento mútuo ou recíproco, que se desenvolve em uma eterna ação de dar e receber. A energia produzida através deste processo é a força da ação de dar e receber. Através desta força as essencialidades duais de Deus estabelecem uma base recíproca. Isto tem como resultado o "fundamento da existência", no qual o próprio Deus existe para sempre.
Toda e qualquer criação entra na ação de dar e receber entre as essencialidades duais que formam um ser individual pela formação de um relacionamento recíproco através da Energia Primária Universal. Através da força da ação de dar e receber, as essencialidades duais produzem uma base recíproca, que por sua vez, produz o fundamento da existência no ser individual; e depois, sobre este fundamento, o ser individual pode estar na posição de objeto de Deus, e receber toda a força necessária para sua própria existência.
Por exemplo, um átomo vem a existir através da ação de dar e receber entre um próton e um elétron. Esta é a ação da fusão. Uma molécula vem a existir através da ação de dar e receber entre um íon positivo e um íon negativo, que causa uma reação química. A eletricidade é produzida pela ação de dar e receber entre cargas elétricas positivas e cargas elétricas negativas, que causam a ação elétrica. Todas as plantas se multiplicam através da ação de dar e receber entre o estame e o pistilo.
Os animais também mantêm sua existência e se multiplicam através da ação de dar e receber entre macho e fêmea. Entre o reino animal e o reino vegetal faz-se possível a coexistência através da ação de dar e receber. As plantas dão oxigênio aos animais e os animais dão de volta gás carbônico às plantas. As flores oferecem néctar às abelhas e as abelhas polinizam as flores.
Quando observamos os corpos celestes, verificamos que o sistema solar existe através da ação de dar e receber entre os vários planetas. A Terra e a lua também são capazes de manter os seus movimentos de órbita através da ação de dar e receber.
O corpo humano mantém sua vida através da ação de dar e receber entre artérias e veias, inalação e exalação, nervos simpáticos e parassimpáticos. O indivíduo é capaz de atingir a finalidade de sua existência através da ação de dar e receber entre mente e corpo.
Há ação de dar e receber entre marido e mulher no lar, entre indivíduos em uma sociedade, entre governo e povo em uma nação e entre nações no mundo. A ação de dar e receber governa todos os relacionamentos dentro do homem e todos os relacionamentos entre os homens.
Por pior que o homem possa ter sido através de todas as idades e em todos os lugares, ele ao menos tem a força da consciência latente no seu interior. Esta consciência, está sempre trabalhando, influenciando-o a viver pela retidão. Ninguém pode impedir que esta força opere dentro dele. Ela faz com que ele sinta remorso na consciência no momento de cometer o mal. Se não houvesse consciência nos homens decaídos, a Providência Divina de restauração seria impossível. De onde é que se origina esta força da consciência? Já que toda força vem da ação de dar e receber, a consciência não deve ser uma exceção. A consciência é capaz de operar porque está na posição de objeto para com um certo sujeito, desempenhando assim uma ação de dar e receber na base recíproca formada entre os dois. Sabemos que o sujeito da consciência é Deus.
A queda humana significa que através de certo ato o homem foi cortado do relacionamento de dar e receber com Deus, não conseguindo se unir com Ele em um só corpo. Ao invés, ele entrou em um relacionamento de dar e receber com Satanás, formando uma base recíproca com ele. Jesus, tendo se tornado um com Deus através do relacionamento de dar e receber, veio a este mundo como Seu filho. Por isso, caso o homem decaído venha a unir-se a Jesus em um perfeito relacionamento de dar e receber, poderá restaurar sua natureza original da criação, entrando assim mais uma vez no relacionamento de dar e receber com Deus e formando uma unidade com Ele. Portanto, Jesus é chamado "Mediador" para o homem decaído, sendo "o caminho, a verdade e a vida". Ele veio para servir à humanidade com amor e sacrifício, mesmo dando sua vida. Se nós formos para Ele com fé, "não pereceremos, mas teremos vida eterna" (Jo 3.16).
O verdadeiro Cristianismo é uma religião de vida, pela qual os homens podem restaurar o circuito vertical de dar e receber com Deus, pelo estabelecimento, através do amor e sacrifício, do circuito horizontal entre os homens, centralizando-se em Jesus. Os ensinamentos e obras de Jesus foram somente para esta finalidade, como ele disse em numerosas ocasiões:

"Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós." (Mt 7.1-2)
"Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lhes também vós, porque esta é a lei e os profetas." (Mt 7.12)
"Portanto, qualquer um que me confessar diante dos homens, eu o confessarei diante de meu Pai que está nos céus." (Mt 10.32)
"Quem receber um profeta na qualidade de profeta, receberá recompensa de profeta; e quem receber um justo na qualidade de justo, receberá recompensa de justo." (Mt 10.41)
"E qualquer um que tiver dado ainda que seja um copo d'água fria a um destes pequenos em nome de discípulo, em verdade vos digo que de modo algum perderá sua recompensa." (Mt 10.42)

3. O FUNDAMENTO DE QUATRO POSIÇÕES:
AS TRÊS FINALIDADES OBJETIVAS ATRAVÉS DA AÇÃO DE ORIGEM, DIVISÃO E UNIÃO
(1) A Ação de Origem, Divisão e União
Quando, através da Energia Primária Universal, as essencialidades duais de Deus entram em ação de dar e receber pela formação de um relacionamento recíproco, a força de dar e receber causa a multiplicação. Esta ação leva as essencialidades duais a se separarem em dois objetos substanciais centralizados em Deus. Daí o par de sujeito e objeto substanciais entram em outra ação de dar e receber, pela formação de um relacionamento recíproco, através da Energia Primária Universal. Pela formação de uma só unidade, eles se tornam um objeto para com Deus. Desta maneira, Deus, como a origem, é dividido em duas substâncias separadas, depois novamente estas duas se unem para formar um só corpo. A este processo damos o nome de "ação de origem, divisão e união".
(2) As Três Finalidades Objetivas
Quando, de acordo com a "ação de origem, divisão e união" (ação
O-D-U), a origem for dividida em duas substâncias separadas de sujeito e objeto, as quais novamente forem unidas em um só corpo, quatro posições serão formadas. Uma assume a posição subjetiva, enquanto as três restantes estão na posição de objetos, produzindo assim três bases objetivas. Quando entram na ação de dar e receber entre si, uma das quatro posições assume o papel de sujeito, enquanto as outras três realizam suas finalidades objetivas respectivamente.
(3) O Fundamento de Quatro Posições
Quando, de acordo com a ação O-D-U, a origem é dividida em dois objetos substanciais, eles respectivamente assumem o papel de sujeito e de objeto e finalmente se unem em um só corpo. Assim, três posições objetivas são realizadas. Já que estas três posições objetivas estão centralizadas na origem, ao todo se formam quatro posições respectivas. Isto cria o "Fundamento de Quatro Posições".
O significado do número "quatro" é derivado deste fundamento de quatro posições. E, já que isto é o resultado da realização das três finalidades objetivas, o significado do número "três" também se encontra aqui. O fundamento de quatro posições é manifestado como Deus, marido e esposa, e sua descendência. Tendo a Deus como a origem, o marido e a mulher como sujeito e objeto manifestos e a descendência como o resultado de sua unidade, podem-se ver três estágios distintos. Assim, o fundamento de quatro posições torna-se a base dos três estágios, porque é realizado nos três estágios, de acordo com a ação O-D-U. Esta é também a base do significado do número "doze", porque cada uma das quatro posições tomará três objetos, assim fazendo o total de doze objetos.
O fundamento de quatro posições é a base para a realização do bem de Deus, e a meta final da Sua criação. Esta é a base através da qual a força de Deus é canalizada para fluir para toda a criação, para que ela possa existir. Por isso, a formação do fundamento de quatro posições é, em última análise, a eterna finalidade da Criação de Deus.
(4) O Estado de Existência do Fundamento de Quatro Posições
Sempre que uma criação tiver formado um fundamento de quatro posições pela realização de suas três finalidades objetivas através da ação O-D-U, começará a desempenhar um movimento circular esférico, com a finalidade de manter sua existência tridimensional. Investiguemos agora a razão disto.
Quando as essencialidades duais de Deus são divididas e manifestadas em dois objetos substanciais, um servindo como sujeito e o outro como objeto, eles entram em relacionamento e produzem uma base recíproca. O objeto entra na ação de dar e receber, centralizado-se no sujeito, através da força centrífuga e da força centrípeta. Conseqüentemente, o objeto começa a mover-se em torno do sujeito e desta maneira eles formam uma unidade. De acordo com este mesmo princípio, o sujeito, por sua vez, se torna um objeto de Deus, girando em torno d'Ele para formar uma unidade com Ele. Quando o objeto forma uma unidade com o sujeito, ambos se tornam um objeto substancial para com Deus, já que refletem Sua essencialidade dual. Por esta razão, o objeto deve primeiramente unir-se ao sujeito, antes de por-se na posição de objeto para com Deus.
Este objeto substancial para com Deus, por outro lado, tem em si as essencialidades duais de sujeito e objeto respectivamente, desempenhando um movimento circular incessante através da ação de dar e receber entre os dois. Por isso este movimento circular forma uma órbita específica em um nível horizontal, de acordo com a moção particular do sujeito e do objeto. Contudo, já que este movimento é geralmente realizado com uma constante variação dos ângulos da órbita, centralizando-se no sujeito, este movimento circular finalmente se tornará um movimento esférico. Desta forma, todos os seres que tiverem completado o fundamento de quatro posições se movem em movimento circular ou em movimento esférico, fazendo a sua maneira de existência tridimensional.
Examinemos o exemplo do sistema solar. Tendo o sol como o sujeito, todos os planetas agem como seus objetos, pela formação de um relacionamento recíproco com o sol, através da ação de dar e receber. Através da ação da força centrífuga e da força centrípeta, cada planeta gira ao redor do sol. Durante este processo de rotação, o sol e os planetas tornam-se uma unidade, criando assim o sistema solar. A Terra que em si mesma é um corpo complexo de essencialidades duais, não é o único corpo que gira em seu próprio eixo. O sol, e os planetas em torno dele, que são corpos complexos de essencialidades duais em si mesmos, também giram em seus próprios eixos. O movimento circular do sistema solar, que foi criado pela ação de dar e receber entre o sol e os planetas, nem sempre ocorre em um só plano, mas muda constantemente o seu ângulo de órbita em torno do sol. Assim o sistema solar, ao realizar este movimento esférico, faz-se tridimensional. Desta maneira, todos os corpos celestes existem em três dimensões, através de movimento circular ou esférico. O universo todo, formado de numerosos corpos celestes, existe como uma só unidade, através da ação de dar e receber e move-se esfericamente sob o mesmo princípio, assim existindo tridimensionalmente.
Quando um próton e um elétron, pela formação de uma base recíproca, entram na ação de dar e receber, tendo o próton como centro, ali ocorre um movimento circular, fazendo dos dois uma só unidade, e assim se produz um átomo. O próton e o elétron também têm essencialidades duais empenhadas em contínuo movimento individual. Por isto, o movimento circular produzido pela ação de dar e receber entre o próton e o elétron não ocorre no nível horizontal apenas, mas constantemente muda o seu ângulo de movimento, de forma que vem a ser um movimento esférico. Assim também o átomo existe em um nível tridimensional.
As linhas de força magnéticas entre os pólos norte e sul também se manifestam em um movimento esférico segundo o mesmo princípio, de acordo com o eletromagnetismo.
Tomemos o homem como exemplo. O corpo é objeto da mente, que é o sujeito. Quando o corpo forma um relacionamento recíproco com a mente, realiza um movimento circular centralizado nela, tornando-se assim uma unidade com ela. Caso a mente se torne o objeto de Deus e gire em torno d'Ele, tornando-se uma unidade com Ele, e se o corpo se unir com a mente, o indivíduo tornar-se-á um objeto substancial para com Deus, já que reflete Suas essencialidades duais. Desta forma ele virá a ser um homem no qual a finalidade da criação está realizada. O corpo e a mente também contêm uma essencialidade dual que continua a mover-se individualmente; e assim o movimento circular que ocorre através da ação de dar e receber entre tal corpo e tal mente, finalmente se torna um movimento esférico, girando em torno de Deus, constantemente mudando seus ângulos. Por isso, o homem no qual a finalidade da criação é realizada é um ser tridimensional, sempre vivendo em uma existência esférica, centralizada em Deus. Desta maneira, ele será capaz de dominar até mesmo o mundo invisível do espírito (cf. Parte I, Capítulo I, Seção VI).
De modo semelhante, quando o movimento circular entre um sujeito e um objeto que ocorre no nível horizontal, torna-se um movimento esférico através de uma órbita tridimensional, ali vem a existir as maravilhas da criação. Isto é, a beleza das coisas da criação existe em infinita variedade, e isto é assim devido às variadas órbitas, formas, estados, direções, ângulos e velocidades da ação de dar e receber individual.
Toda existência tem seu próprio caráter interno e forma externa e, naturalmente, seu movimento esférico também contém os mesmos aspectos de caráter e forma. Desta maneira, há tanto o centro do caráter como o centro da forma, mesmo no centro do movimento. O que seria este centro último do movimento esférico? O homem é o centro de toda a Criação, que foi criada para ser o objeto substancial simbólico das essencialidades duais de Deus. Deus é o centro de todos os homens, que foram criados para ser Seu objeto substancial em Sua imagem. Portanto, o centro último do movimento esférico de todo o universo é Deus.
Levemos ainda mais adiante a investigação desta matéria. Todo objeto substancial de Deus tem um sujeito e um objeto em si mesmo, sendo que o centro é o centro em seu relacionamento. Por conseguinte, o centro do corpo unificado de sujeito e objeto também está no sujeito. O centro último do sujeito é Deus, e o centro último do corpo unificado também é Deus. Portanto, quando os três objetos de Deus formam uma base respectiva de reciprocidade, e seus três centros (sujeitos) entram na ação de dar e receber, centralizando-se em Deus em completa unidade com Ele, realizando suas três finalidades objetivas, o fundamento de quatro posições se completa pela primeira vez.
Conseqüentemente, o centro último do fundamento de quatro posições é Deus. Toda criação individual, tendo assim realizado o fundamento de quatro posições, é chamada de encarnação de verdade individual.
Como foi mencionado antes, isto existe em duas formas: a encarnação de verdade em imagem (homem) e a encarnação de verdade simbólica (toda a Criação, exceto o homem).
O universo é constituído de inumeráveis encarnações de verdades individuais deste tipo, mutuamente relacionadas em boa ordem, desde a criatura do grau mais baixo até à do grau mais elevado, tendo o homem como a encarnação de verdade mais alta. Mais uma vez cada encarnação de verdade individual movimenta-se esfericamente, sendo que as encarnações de verdades individuais mais baixas têm uma posição objetiva para com as mais altas. O centro do movimento esférico deste objeto está na encarnação de verdade individual que se encontra na posição de sujeito, em um nível mais alto. De modo semelhante, os centros destas numerosas encarnações de verdades individuais simbólicas estão ligados entre si, desde o mais baixo até ao mais alto. O homem, a encarnação de verdade individual em imagem, é o ser criativo mais alto e central.
Ilustremos isto com um exemplo. A ciência de hoje afirma que os átomos são feitos de partículas elementares, compostas de energia. Fazendo uma observação a respeito da finalidade da existência das encarnações de verdades individuais em estágios diferentes, podemos compreender que a energia existe a fim de formar uma partícula elementar. Esta, por sua vez, existe para formar um átomo; átomo, para formar uma molécula; molécula para formar qualquer tipo de matéria; e toda matéria existe para formar o universo todo.
Para que finalidade, pois, o universo existe; qual é o seu centro? A resposta só pode ser o próprio homem. É por isso que Deus, depois de ter criado o homem, disse-lhe que subjugasse a Terra (Gn 1.28). Se não houvesse homem para ver e apreciar o universo, este poderia ser comparado a um museu sem visitantes. Os objetos exibidos em um museu só podem demonstrar seu valor de existência quando existir um homem para apreciar, amar e deleitar-se neles. O homem é capaz de formar um íntimo relacionamento com eles, e desta maneira eles assumem valor. Se não houvesse homem algum para apreciá-los, será que eles teriam algum significado? O mesmo se aplica ao caso do universo todo, com o homem como o seu centro. Apenas através do homem eles são mutuamente relacionados em finalidade unida. O relacionamento se torna evidente quando o homem esclarece a fonte e a natureza de todos os materiais que formam a Criação toda. Somente o homem estuda e classifica os verdadeiros caracteres de todos os animais e plantas, incluindo tudo na terra, no mar, como também nas constelações que formam o universo todo. Como centro e sujeito da Criação, o homem faz com que eles possam ter um relacionamento mútuo organizado. Os materiais absorvidos pelo corpo humano são mudados em elementos que mantêm a função fisiológica do homem, ao passo que a Criação toda se torna o material para fazer um agradável ambiente de vida para ele.
Estes são os relacionamentos do homem para com o universo tendo-o como o centro, (na base de forma externa). Mas existe ainda um outro relacionamento, tendo o homem como o centro, na base de caráter interno. Podemos chamar o primeiro de "relacionamento físico", ao passo que o último damos o nome de "relacionamento espiritual".
Os elementos fisiológicos do homem, que são formados de substância material, respondem ao intelecto, emoção e vontade de sua mente. Isto indica que os materiais têm certos elementos através dos quais podem responder ao intelecto, emoção e vontade do homem. Tais elementos formam o caráter interno da matéria, de forma que toda a criação é capaz de responder ao intelecto, emoção e vontade do homem, embora possa existir variação do grau de resposta. Já que o homem é o centro de caráter interno da Criação, ele tem a capacidade de tornar-se inebriado com a beleza da natureza e de experimentar o mistério de ser um em harmonia com ela. Assim, o homem foi criado para ser o centro da Criação, e portanto, é no ponto onde Deus e o homem se tornam um só corpo unido, que vamos encontrar o centro do macrocosmo.
Tratemos agora do fato de ser o homem o centro do macrocosmo do ponto de vista de um aspecto diferente. Damos aos dois mundos, o visível e o invisível, o nome de "macrocosmo" sendo que o homem é o centro substancial deste macrocosmo total. Toda Criação que forma o macrocosmo está dividida em um elemento sujeito e outro objeto.
Aqui podemos chegar à conclusão que, se Adão, que foi o primeiro antepassado humano, tivesse se aperfeiçoado, ele tornar-se-ia a incorporação substancial de todos os elementos sujeitos da Criação; e se Eva tivesse se aperfeiçoado, ela tornar-se-ia a incorporação substancial de todos os elementos objetos da Criação. Se Adão e Eva, juntos, tivessem crescido de maneira sadia até a perfeição - tornando-se ele o senhor de todos os sujeitos da Criação, e ela, a senhora de todos os objetos - e se eles se unissem em um só corpo como marido e mulher, eles teriam se tornado o corpo central, dominando todo o universo, porque Deus criou o homem para ter domínio sobre a Criação.
O homem foi criado para ser o centro de harmonia de todo o macrocosmo. Se Adão e Eva se tornassem marido e mulher depois da perfeição, unindo-se assim em um só corpo como o centro substancial das essencialidades duais contidas em toda criatura, o macrocosmo, que tinha sido criado para ter essencialidades duais como um ser individual, também existiria harmoniosamente, tendo Adão e Eva como o núcleo. Da mesma maneira, o ponto no qual Adão e Eva se unem em um só corpo como marido e mulher, é também o ponto no qual Deus, o sujeito de amor, e o homem, o objeto de beleza, tornam-se uma só unidade, fazendo assim o centro do bem. Aqui, pela primeira vez, a finalidade da criação é realizada. Deus, nosso Pai, pode habitar com os homens aperfeiçoados como Seus filhos, e pacificamente descansar por toda a eternidade. Neste momento, este centro se tornaria o objeto do amor eterno de Deus e através disto Deus seria estimulado com felicidade por toda a eternidade. Aqui, o Verbo de Deus será fisicamente encarnado pela primeira vez na história humana. Portanto, este ponto se tornará o próprio centro da verdade e também o centro da mente original do homem, que o tem dirigido a atingir a finalidade da criação. Conseqüentemente, todo o universo desempenhará um movimento esférico de finalidade unificada, centralizado no fundamento de quatro posições, quando o homem e a mulher aperfeiçoados se tornarem marido e mulher, tendo Deus como seu centro. Contudo, o universo perdeu este centro quando o homem caiu; conseqüentemente, toda a Criação está gemendo em dores como de parto, aguardando que os filhos de Deus - isto é, os homens cuja natureza original está restaurada - apareçam e tomem sua posição como o centro do macrocosmo (Rm 8.19 22).
4. A Onipresença de Deus
A nossa compreensão fica assim aumentada e sabemos que o fundamento de quatro posições, tendo completado as três finalidades objetivas através da ação O-D-U, torna-se um só corpo com Deus através de um movimento esférico, centralizando-se n'Ele. Isto cria o fundamento básico tanto da força no interior de cada ser existente, através da qual Deus pode operar, como da força que possibilita a todos os seres da Criação manterem sua existência. De maneira semelhante, Deus é onipresente na Criação.
5. A MULTIPLICAÇÃO DE CORPOS FISIOLÓGICOS
Para que um corpo físico possa continuar a existir, ele deve multiplicar-se, e esta multiplicação ocorre através da ação O-D-U, produzida pela ação de dar e receber. Por exemplo, as sementes das plantas são produzidas através da ação de dar e receber entre o estame e o pistilo. Elas novamente se multiplicarão, repetindo o mesmo curso. No mundo animal também macho e fêmea crescem para terem ação de dar e receber entre si, assim reproduzindo e multiplicando-se. A divisão celular dos animais e das plantas também ocorre através da ação de dar e receber. Se o corpo obedecer aos desejos da mente, de acordo com certa finalidade, ele entra na ação de dar e receber com a mente, e eles se tornam companheiros. Sempre que amigos têm ação de dar e receber entre si, de maneira sadia, sua amizade aumenta. Visto deste aspecto, o universo é a multiplicação substancial do Deus invisível, que ocorre através da ação de dar e receber entre seu caráter e forma essenciais, centralizando-se na finalidade da criação.
6. A RAZÃO PELA QUAL TODO SER É CONSTITUÍDO DE ESSENCIALIDADES DUAIS
Para existir, tudo necessita de energia - e isto vem através da ação de dar e receber. Contudo, nada pode desempenhar a ação de dar e receber por si só. Portanto, a fim de gerar a energia para existir, deve haver um sujeito e um objeto que possam realizar a ação de dar e receber. Todo movimento que continuar em linha reta, finalmente chegará a um fim, e nenhum ser que realize tal movimento poderá existir eternamente. Conseqüentemente, para que assim possa existir, tudo se move em movimento circular. Para que haja revolução, deve existir a ação de dar e receber entre um sujeito e um objeto. Assim, para que possa existir eternamente, Deus tem essencialidades duais. Já que Sua criação deve ser Seu objeto eterno, ela deve refletir as essencialidades duais de Deus. Desta forma, o "tempo" também mantém a sua perpetuidade passando por ciclos periódicos.

SEÇÃO III

A Finalidade da Criação
1. A FINALIDADE DA CRlAÇÃO DO UNIVERSO
Todas as vezes que Deus criou uma nova espécie na criação, disse que aquilo "era bom" (Gn 1.4-31). Isto indica que Deus queria que toda a Sua criação fosse bons objetos. Isto também é porque Deus queria sentir felicidade sempre que olhasse para Sua criação.
Como, então, deveria ser Sua criação a fim de fazer feliz a Deus? Depois de ter criado o universo, Deus finalmente criou o homem segundo Sua imagem, seguindo o modelo de Seu próprio caráter, com tremendo potencial. O homem devia desfrutar e apreciar sua posição de objeto de Deus. Por isso, quando Deus criou Adão e Eva, deu-lhes as três grandes bênçãos: de frutificar, multiplicar e encher a terra e, subjugá-la e ter domínio (Gn 1.28). Se o homem tivesse seguido as palavras desta bênção, tornando-se feliz no reino celeste de Deus, Deus teria sentido muita felicidade.
Como deveriam ter sido realizadas as três grandes bênçãos de Deus? Isso teria sido possível somente com o fundamento de quatro posições, se o fundamento básico da Criação, tivesse sido realizado. A finalidade de Deus ao criar o universo era sentir felicidade, vendo a finalidade do bem realizada no reino celeste, reino este que toda a Criação incluindo o homem, poderia ter estabelecido, depois de terem completado o fundamento de quatro posições centralizado em Deus, realizando Suas três grandes bênçãos.
Conseqüentemente, a finalidade da existência do universo, centralizado no homem, é devolver alegria a Deus, o Criador. Todo ser tem uma finalidade dual. Como já foi explicado, toda existência tem tanto caráter como forma; conseqüentemente sua finalidade é dupla. Uma finalidade pertence ao caráter interno, e a outra, à forma externa. O relacionamento entre as duas é exatamente idêntico ao do caráter e da forma de qualquer ser individual. A finalidade pertencente ao caráter interno é para o todo, ao passo que a finalidade pertencente à forma externa é para o indivíduo. Em outras palavras, o primeiro e o último relacionam-se entre si como causa e efeito, interno e externo, sujeito e objeto. Por conseguinte, não pode haver qualquer finalidade do indivíduo separada da finalidade do todo, nem qualquer finalidade do todo que não inclua a do indivíduo. As criaturas de todo o universo formam um vasto complexo ligado entre si por tais finalidades duais.
2. O OBJETO DO BEM PARA A ALEGRIA DE DEUS
Para entendermos mais precisamente as questões com respeito à finalidade da criação de Deus, devemos primeiro examinar como se produz alegria. Não se pode criar alegria somente pelo indivíduo. A alegria vem quando temos um objeto, quer seja invisível, quer seja visível, no qual nosso caráter e forma próprios são refletidos e desenvolvidos, possibilitando-nos assim sentir nosso próprio caráter e forma, pela estimulação derivada do objeto.
Por exemplo: O homem sente alegria como criador somente quando ele tiver um objeto, isto é, quando ele vê o produto de seu trabalho, seja uma pintura, seja uma escultura, no qual seu plano está substancializado. Desta forma, ele se torna capaz de, objetivamente, sentir seu próprio caráter e forma através da estimulação derivada do produto de seu trabalho. Quando a própria idéia permanece na posição objetiva, a estimulação derivada dela não é substancial; por isso, a alegria derivada dela também não pode ser substancial. A alegria de Deus é produzida do mesmo modo que a do homem. Portanto, Deus sente alegria quando sente Seu caráter e forma originais objetivamente, através da estimulação derivada de Seu objeto substancial.
Já explicamos que, quando o Reino celeste estiver substancializado através da realização das três grandes bênçãos no fundamento de quatro posições, isto formará o objeto perfeito, pelo qual Deus poderá sentir alegria. Estudemos como isto pode formar o objeto perfeito para a alegria de Deus.
A primeira bênção de Deus para o homem era para aperfeiçoar sua individualidade. Para que o homem aperfeiçoe sua individualidade, sua mente e seu corpo, que são a forma dividida das essencialidades duais de Deus, devem tornar-se unidas através da ação de dar e receber entre si. Assim elas formam um fundamento individual de quatro posições, centralizando-se em Deus. O homem cuja mente e corpo tiverem formado o fundamento de quatro posições da natureza original, centralizada em Deus, tornar-se-á o templo de Deus (I Co 3.16) e formará um só corpo com Ele (Jo 14.20). Isto significa que o homem atinge a deidade. Sentindo exatamente o que Deus sente e conhecendo a vontade de Deus, viverá exatamente como Deus deseja que ele viva. O homem, com sua individualidade assim aperfeiçoada, tem perfeito dar e receber entre sua mente e seu corpo. Ao unir-se, sua mente e corpo formam o objeto substancial de Deus. Nesse caso, Deus torna-se feliz, pois pode sentir objetivamente Seu próprio caráter e forma, através da estimulação vinda de tal objeto substancial. A mente do homem, como sujeito, sente a mesma coisa com relação a seu corpo. Por isso, depois de realizar a primeira bênção de Deus, o homem torna-se um bom objeto para a alegria de Deus. O homem de individualidade perfeita sente tudo o que Deus sente, como se os sentimentos de Deus fossem dele mesmo. Conseqüentemente, ele não pode fazer coisa alguma que cause sofrimento a Deus. Isto significa que tal homem jamais pode cair.
Para que o homem possa realizar a segunda bênção de Deus, originalmente Adão e Eva, os objetos substanciais de Deus divididos, depois de terem aperfeiçoado suas respectivas individualidades, refletindo assim plenamente as essencialidades duais de Deus, deveriam tornar-se marido e mulher para formar uma só unidade, multiplicar-se pela procriação de filhos e estabelecer o fundamento de quatro posições em um nível de família, centralizado em Deus. Toda família ou sociedade em que tal fundamento de quatro posições centralizado em Deus está estabelecido, assemelha-se a um homem de individualidade perfeita. Portanto, a família ou a sociedade torna-se objeto substancial do homem centralizando-se em Deus e o homem e seus objetos tornam-se juntos o objeto substancial de Deus. Deus e o homem serão então felizes, pois poderão sentir suas próprias essencialidades duais refletidas em tal família ou sociedade. Quando o homem efetua a segunda bênção, isto se torna também um bom objeto para a alegria de Deus.
Aprendamos agora porque o homem se torna um bom objeto para a alegria de Deus, ao realizar a terceira bênção de Deus. Primeiro, devemos discutir o relacionamento entre o homem e o universo, do ponto de vista de "caráter e forma".
Antes de criar o homem, Deus fez todas as coisas à imagem e semelhança do caráter e da forma do homem. Portanto, o homem é a encapsulação de todas as coisas. Deus começou Sua criação a partir dos animais de ordem inferior, depois criou animais de função mais complicada e, finalmente, criou o homem, que tem a mais alta função. Por isso, o homem é dotado da estrutura, dos elementos e das qualidades essenciais de todos os animais. Por exemplo, as cordas vocais do homem são tão sofisticadas que são capazes de imitar os sons de todos os animais. A forma e a linha humana são tão delicadas e graciosas, que freqüentemente se tornam uma difícil matéria de desenho para estudantes de arte.
Os homens e as plantas são de estruturas e funções muito diferentes, mas assemelham-se no fato de serem todos constituídos de células. O homem é também dotado das estruturas, dos elementos e das qualidades essenciais da planta. Por exemplo, a folha de uma planta, do ponto de vista de sua função, corresponde ao pulmão humano. Assim como a folha absorve o gás carbônico do ar, o pulmão humano absorve o oxigênio. O tronco, caule ou ramos de uma planta correspondem ao coração humano, fornecendo elementos nutritivos a todo o corpo. A raiz de uma planta corresponde ao estômago e intestinos do homem, que absorvem elementos nutritivos. Além do mais, a forma e a função do xilema e do floema de uma planta correspondem às artérias e veias humanas. O homem é também composto de terra, água e ar; e em conseqüência, contém também os elementos minerais. A estrutura da Terra é também semelhante à do corpo humano. A crosta da Terra é coberta de plantas; veios de água subterrâneas existem nos substratos; e abaixo de tudo isto, se encontra a lava derretida rodeada de pedras. Isto corresponde com bastante precisão à estrutura do corpo humano; a pele é coberta de cabelos; os vasos sangüíneos existem na musculatura; e mais profundamente ainda encontramos a medula dentro do esqueleto.
A terceira bênção de Deus para com o homem representa o qualificativo humano de dominar toda a Criação. Para que o homem venha a realizar esta bênção, deve primeiro estabelecer o fundamento de quatro posições, tendo o universo como seu objeto centralizado em Deus. Depois, tendo o homem como objeto visível à imagem de Deus e o universo, como Seu objeto simbólico à imagem indireta, o amor do homem e a beleza da Criação desempenham a ação de dar e receber para formar um só corpo em unidade centralizando-se em Deus (cf. Parte I, Capítulo I, Seção V, 2 [3]).
O universo é o objeto no qual o caráter e a forma do homem são manifestos em substância. Por isso, o homem, cujo centro está fixo em Deus, sentirá imensa alegria quando objetivamente sentir seu próprio caráter e forma através de todas as coisas como seus objetos substanciais. De maneira semelhante, Deus desfrutaria da máxima felicidade sentindo o Seu caráter e forma essenciais através do mundo de Sua criação, que é formado do homem e todas as coisas em unidade harmoniosa. Quando o homem tiver assim realizado a terceira bênção de Deus, esta se transformará também num objeto do bem para a alegria de Deus. Se a finalidade da criação de Deus tivesse sido assim realizada, teria sido estabelecido nesta Terra o mundo ideal, onde não se poderia encontrar vestígio algum de pecado. Podemos dar a este mundo o nome de Reino do Céu na Terra. O homem foi criado no início para viver no Reino do Céu na Terra. No momento de sua morte física, ele deveria automaticamente transmigrar para o mundo espiritual, onde poderia gozar da vida eterna no Reino do Céu Espiritual.
De todos estes fatos até agora explicados, podemos compreender que o Reino do Céu é o mundo que se assemelha ao homem com sua individualidade aperfeiçoada de acordo com o caráter e a forma essenciais de Deus. Tal como no homem, no qual o comando da mente é transmitido para todo o corpo através do sistema nervoso central, levando assim o corpo a agir para uma só finalidade, no Reino do Céu, o comando de Deus é transmitido a todos os seus filhos por meio dos Verdadeiros Pais, levando todos a trabalharem para uma só finalidade.
SEÇÃO IV
O Valor Original da Criação
1. DETERMINAÇÃO DO VALOR ORIGINAL DA CRIAÇÃO E O PADRÃO DO VALOR
Como podemos determinar o valor original das coisas? O valor de um objeto, de acordo com o padrão comum, geralmente usado, é determinado pelo relacionamento recíproco entre a finalidade do objeto e o desejo humano dele. O valor original de um corpo individual não está latente nele mesmo como algo absoluto. É determinado pelo relacionamento recíproco entre a finalidade do corpo individual (como uma espécie particular de objeto, centralizado no ideal da criação de Deus) e o desejo por parte do homem (como o sujeito) de procurar o valor original do objeto. Desta maneira, para que um objeto realize o valor original de sua criação, deve unir-se ao homem através da ação de dar e receber, formando assim o fundamento de quatro posições original, tornando-se o terceiro objeto de Deus.
Qual é, pois, o padrão do valor original? O valor original é determinado quando um objeto e o homem, como sujeito, estabelecem o fundamento de quatro posições centralizado em Deus. O padrão de valor é Deus, o ser absoluto, porque o centro do fundamento de quatro posições é Deus. Por conseguinte, o valor original de um objeto, que é determinado com relação ao padrão de Deus como a realidade absoluta, não pode deixar de ser absoluto.
Por exemplo, como é que se determina a beleza de uma flor? Sua beleza original é determinada quando a finalidade de Deus ao criar a flor e o desejo espontâneo do homem de procurar sua beleza estão de acordo um com o outro, isto é, quando o desejo, centralizado em Deus, do homem encontrar sua beleza é realizado pela estimulação emocional que ele recebe da flor. Isto lhe traz alegria perfeita. Deste modo, a beleza da flor tornar-se-á absoluta quando a alegria que o homem sente proveniente da flor estiver perfeitamente centralizada na finalidade da criação.
O desejo do homem de procurar a beleza da criação é o desejo de sentir seu próprio caráter e forma objetivamente. Quando a finalidade de Deus ao criar a flor e o desejo do homem de procurar seu valor estiverem em concordância, o sujeito e o objeto criarão um estado de unidade harmoniosa. Portanto, para que qualquer coisa possua valor original ela deve, tendo o homem como o sujeito, estabelecer o fundamento de quatro posições, tornando-se o terceiro objeto de Deus, no estado de unidade harmoniosa, centralizado nEle. Então o valor original de todas as coisas, determinado através de seu relacionamento relativo com Deus, é também absoluto. Até aqui, o valor de um objeto nunca foi absoluto, mas apenas relativo, porque a ação de dar e receber entre o objeto e o homem decaído não estava centralizada em Deus, mas na finalidade e no desejo de Satanás.
2. INTELECTO, EMOÇÃO E VONTADE ORIGINAIS E VERDADE, BELEZA E BEM ORIGINAIS
A mente humana tem três funções básicas constantemente em ação: intelecto, emoção e vontade. O corpo do homem age em resposta ao comando da mente. Disto podemos concluir que a carne do homem responde à sua mente, isto é, ao intelecto, emoção e vontade. Portanto, todo ato do homem deve estar em busca da verdade, beleza e bem. Deus, que é o sujeito da mente humana, é também o sujeito do intelecto, da emoção e da vontade do homem. Quando o homem responder com sua mente ao intelecto, emoção e vontade originais de Deus, seu corpo agirá de acordo com a vontade de Deus. Por conseguinte, a conduta do homem demonstrará o valor da verdade, beleza e bem originais.
3. AMOR E BELEZA, BEM E MAL, RETIDÃO E INIQÜIDADE
(1) Amor e Beleza
Quando os dois corpos substanciais que resultam da divisão das essencialidades duais de Deus, estabelecem um fundamento de quatro posições pelo desempenho da ação de dar e receber numa base recíproca, há forças emocionais em funcionamento entre o sujeito e o objeto, para uni-los como o terceiro objeto de Deus.
O amor é uma força emocional dada pelo sujeito ao objeto; a beleza é uma força emocional devolvida ao sujeito pelo objeto. O poder do amor é ativo e a estimulação da beleza é passiva.
No relacionamento entre Deus e o homem, Deus dá amor como o sujeito, enquanto o homem devolve beleza como o objeto. Entre o homem e a mulher, o homem é o sujeito que dá amor, enquanto a mulher é o objeto que devolve beleza. No universo como um todo, o homem é o sujeito que dá amor e o resto da criação objeto que responde em beleza. Contudo, quando o sujeito e o objeto estão unidos, há o aparecimento de um amor que está latente mesmo na beleza e, de beleza, latente mesmo no amor. Isto é porque quando o sujeito e o objeto se unem no movimento circular, o sujeito pode ficar na posição do objeto e o objeto na do sujeito. Entre homens, a beleza que uma pessoa mais jovem devolve em resposta ao amor de uma pessoa mais velha se chama "lealdade"; a beleza que os filhos devolvem em resposta ao amor de seus pais se chama "devoção filial"; a beleza que uma esposa devolve ao amor do marido se chama "virtude". A finalidade do amor e da beleza é que as duas substâncias separadas, divididas das essencialidades duais de Deus, possam tornar-se uma só através da ação de dar e receber, estabelecendo assim o fundamento de quatro posições, como o terceiro objeto de Deus, realizando sua finalidade da criação.
A seguir, investiguemos a natureza do amor de Deus. A finalidade da criação do homem por parte de Deus será realizada somente quando Adão e Eva, depois de terem alcançado a perfeição como os objetos substanciais das essencialidades duais de Deus, se unirem e tiverem filhos. Desta forma eles experimentam as três espécies de amor que são dadas a seus respectivos objetos - o amor paterno (o primeiro tipo de amor dado ao objeto), o amor conjugal (o segundo tipo de amor dado ao objeto), e o amor filial (o terceiro tipo de amor dado ao objeto) - a fim de realizar as três finalidades objetivas e finalmente formar o fundamento de quatro posições.
Com respeito a cada um dos três amores objetivos no fundamento de quatro posições, o amor subjetivo é o amor de Deus. Por isso, o amor de Deus é demonstrado nos três amores objetivos e se torna a força fundamental para o estabelecimento do fundamento de quatro posições. O fundamento de quatro posições é o perfeito objeto de beleza, sobre o qual podemos receber e desfrutar do amor de Deus perfeitamente; é também o alicerce fundamental do bem, no qual a finalidade da criação de Deus pode ser realizada.
(2) Bem e Mal
Quando um sujeito e um objeto realizam a finalidade da criação, tornando-se um só através da ação de dar e receber, a ação ou seu resultado se chama "bem". Quando o sujeito e o objeto vão contra a finalidade da criação de Deus através do estabelecimento do fundamento de quatro posições centralizado em Satanás, tal ação ou o seu resultado se chama "mal".
Por exemplo, quando um indivíduo realiza a primeira bênção de Deus para com o homem, unindo sua mente e seu corpo através da ação de dar e receber de amor e beleza, estabelecendo assim o fundamento de quatro posições no nível individual, este indivíduo ou as ações que produz tal indivíduo se chamam "bem". Se Adão e Eva tivessem se tornado marido e mulher através da ação de dar e receber de amor e beleza, nas posições respectivas de sujeito e objeto centralizados em Deus e tivessem estabelecido o fundamento de quatro posições no nível de família com seus filhos, teriam criado uma família na qual a finalidade da criação teria sido completada, realizando assim a segunda bênção de Deus para com o homem. Esta família ou as ações para estabelecer tal família, tem o nome de "bem". Além disso, quando um homem, depois de ter aperfeiçoado sua individualidade, coloca a criação na posição objetiva como seu segundo eu e se torna um com ela, ele produz o terceiro objeto de Deus. Estabelece assim o fundamento de quatro posições sob seu controle, realizando a terceira bênção de Deus para com o homem. Este estado ou as ações para atingi-lo, também têm o nome de "bem". Por outro lado, quando uma pessoa realiza uma finalidade contrária às três grandes bênçãos de Deus pelo estabelecimento do fundamento de quatro posições centralizado em Satanás, este ato ou os resultados dele, são chamados de "mal".
(3) Retidão e Iniqüidade
No curso da realização da finalidade do bem, os elementos que produzem uma vida de bem são chamados de "retidão". No curso da realização da finalidade do mal (Satanás), os elementos que causam uma vida de mal são chamados de "iniqüidade". Desta forma, é natural que tenhamos necessidade de viver uma vida de retidão a fim de atingirmos a finalidade do bem. É por isto que a retidão está sempre à procura da finalidade do bem.
SEÇÃO V
O Processo da Criação do Universo
e o Período de Crescimento
1. O PROCESSO DA CRIAÇÃO DO UNIVERSO
Está registrado no Capítulo 1 do Gênesis que a criação do universo começou pela criação da luz a partir do caos, vazio e das trevas sobre a face do profundo. Deus primeiro criou a água e separou as águas que estavam sob o firmamento das águas que estavam acima do firmamento. Depois Ele separou as águas da terra. Depois de ter criado as plantas, os peixes, os pássaros e os mamíferos, Ele então criou o homem. Tudo isto levou um período de seis dias. Através disto, vemos que houve um período de seis dias envolvido na criação do universo.
O processo da criação, como está escrito na Bíblia, está de acordo com o processo evolucionário da criação, conhecido pelos cientistas modernos. No início, o universo estava em um estado gasoso. Partindo do caos e do vazio da era anídrica, os corpos celestes foram formados. Depois de um período de chuvas, o mundo entrou na idade aquosa com um firmamento de água. Então, devido à erupção vulcânica, a terra apareceu da água, e foi assim separada do mar. A seguir, as plantas e os animais inferiores vieram a existir. Depois vieram os peixes, as aves, os mamíferos e finalmente o homem, naquela ordem. Os cientistas calculam que a idade da Terra é de aproximadamente um bilhão de anos. Quando observamos o fato que o curso da criação do universo descrito na Bíblia, que foi escrita a milhares de anos atrás, coincide com as descobertas da pesquisa científica, nós nos certificamos de que esta descrição da Bíblia é de fato uma revelação de Deus.
O universo não veio a existir repentinamente sem um transcorrer de tempo, mas levou um tempo considerável para que a geração do universo fosse realizada. Portanto, os seis dias até o término da criação do universo são, de fato, não seis dias como calculados pela repetição de nascer e pôr do sol, mas uma indicação de que houve seis períodos no curso da criação.
2. O PERÍODO PARA O CRESCIMENTO DA CRIAÇÃO
O fato que levou seis dias - isto é, seis períodos - para completar a criação do universo, indica que uma certa quantidade de tempo é necessária para se completar a criação de qualquer corpo individual no universo.
Lemos no Capítulo 1 do Gênesis a história da criação do universo, na qual se descreve cada dia da criação e se designa cada dia por um número. Por isso, também podemos compreender que um período de tempo foi necessário para o acabamento de cada criação. Diz a Bíblia que, depois da criação, no primeiro dia: "e foi a tarde e foi a manhã o primeiro dia" (Gn 1.5). Em algum ponto no período desde a tarde, pela noite, até a manhã seguinte, o segundo dia devia começar; mas a Bíblia diz "dia um" ou "primeiro dia", porque todo ser criado só pode realizar o ideal da criação na nova manhã, depois de sua perfeição através da noite, que é o período de crescimento.
De modo semelhante, todo fenômeno que ocorre no universo produz o resultado apenas depois do transcorrer de um intervalo de tempo. O motivo é que tudo foi feito no início para ser aperfeiçoado através de um certo período de tempo.
(1) Os Três Estágios Ordenados para o Período de Crescimento
O universo é a representação do caráter e da forma essenciais de Deus, desenvolvidos substancialmente de acordo com os princípios da matemática. Podemos concluir que Deus é, de fato, matemático. Deus é a realidade absoluta, o centro neutro existente das duas essencialidades, por isso, Ele é a realidade do número "três. Todo ser criado, que é a imagem e semelhança de Deus (Gn 1.27), é criado para passar através do curso do número "três em sua existência, movimento e crescimento.
Deste modo, o fundamento de quatro posições, que era a finalidade da criação de Deus, devia ser estabelecido através do curso de três estágios: Deus, Adão e Eva, e filhos. A fim de estabelecer o fundamento de quatro posições e entrar em um movimento circular, deve-se efetuar os três estágios da ação de origem-divisão-união, realizando as três finalidades objetivas, servindo de objeto para três sujeitos, e de sujeito para três objetos. Para que qualquer coisa se firme em uma posição fixa, necessita de pelo menos três pontos para apoiá-la. Portanto, para que qualquer criatura seja aperfeiçoada, deve crescer até a maturidade através dos três estágios ordenados de "formação "crescimento" e "aperfeiçoamento. O número "três aparece por todo o mundo natural que é formado de minerais, plantas e animais. Por exemplo: a matéria existe em três estados - gasoso, líquido e sólido; a planta é basicamente formada de três partes - a raiz, o tronco ou caule e as folhas; e o animal é formado de cabeça, tronco e membros.
A seguir, tiremos alguns exemplos da Bíblia. O homem, tendo caído antes de completar os três estágios do período de crescimento, não pode realizar a finalidade da criação. Por isto, a fim de atingir esta finalidade, ele deve primeiro passar através daqueles três estágios. Na providência da restauração, Deus tem trabalhado para restaurar o número três. Como conseqüência, há muitas passagens na Bíblia sobre a providência centralizada no número "três: a Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo), os três estágios do Paraíso, os três arcanjos (Lúcifer, Gabriel e Miguel), os três andares da arca de Noé, os três vôos do pombinho da arca, as três ofertas de Abraão, os três dias antes da oferta de Isaac, os três dias de calamidade durante o período de Moisés, o período de três dias para a separação de Satanás na preparação para o êxodo, os três períodos de quarenta anos para a restauração de Canaã, o período de três dias de separação de Satanás centralizando-se em Josué antes do cruzamento do Jordão, trinta anos de vida particular e três anos de ministério público de Jesus, os três magos do Oriente com suas três dádivas, os três discípulos maiores de Jesus, as três tentações de Jesus, as três orações no Getsêmani, as três negações de Pedro a respeito de Jesus, a escuridão de três horas durante a crucifixão e a ressurreição de Jesus depois de três dias.
Quando caíram os primeiros antepassados humanos? Caíram durante o seu período de crescimento, enquanto estavam ainda imaturos. Se o homem tivesse caído depois de ter alcançado a perfeição, não poderíamos acreditar na onipotência de Deus. Se o homem pudesse cair depois de ter-se tornado uma perfeita manifestação do bem, o próprio bem seria imperfeito. Desta forma, teríamos que chegar à conclusão de que Deus, o sujeito absoluto do bem, é também imperfeito.
Em Gênesis 2.17, Deus avisou a Adão e Eva que no dia em que eles comessem do fruto da Árvore da Ciência do Bem e do Mal, certamente morreriam. Do fato de terem eles a possibilidade de escolha, ou continuar a viver pela obediência à advertência de Deus, ou aceitar o caminho da morte indo contra aquela, podemos imaginar que estavam ainda em um período imaturo. Todas as coisas foram criadas para alcançarem a perfeição depois de terem crescido através dos três estágios. O homem não poderia ter sido criado fora deste princípio.
Em qual dos estágios de crescimento o homem caiu? podemos ver que ele caiu no nível final do estágio de crescimento. Isto pode ser provado logicamente examinando as várias situações em torno da queda dos primeiros antepassados humanos e pelos detalhes da história da providência de restauração. Isto ficará mais esclarecido ainda pelo estudo da primeira e segunda partes deste livro.
(2) O Domínio Indireto
Durante o período de crescimento, cada ser da criação cresce autonomamente pela força do Princípio Divino. Por isso, Deus, como autor do Princípio, relaciona-se com a Criação indiretamente, tratando diretamente apenas daqueles resultados de seu crescimento que estão de acordo com o Princípio. Por isto, damos a este período o nome de "domínio indireto de Deus ou "Seu domínio sobre o resultado no Princípio".
Todas as coisas alcançam sua perfeição através do domínio e autonomia do próprio Princípio, passando pelo período de crescimento (domínio indireto). Contudo, o homem foi criado para atingir sua perfeição não apenas através do domínio e autonomia do próprio Princípio, mas também pelo cumprimento de sua própria porção de responsabilidade, passando através deste período. Isto é, quando estudamos a Palavra de Deus, que diz ". . . no dia em que dele comeres, certamente morrerás" (Gn 2.17), podemos entender que a queda do homem foi culpa dele mesmo e não de Deus.
Os primeiros antepassados humanos deviam tornar-se perfeitos pela crença na Palavra divina não comendo o fruto, mas em sua descrença, eles o comeram, causando assim a queda. Em outras palavras a perfeição ou não perfeição do homem dependia não somente do poder da criação de Deus, mas também da resposta do homem. Por isso, o homem foi criado para atingir a sua perfeição passando através do período de crescimento (domínio indireto), realizando sua porção de responsabilidade, sendo que Deus também realiza Sua parte como o Criador.
Deus criou o homem de forma que ele pudesse atingir sua perfeição somente pelo cumprimento de sua porção de responsabilidade. Deus não interfere com o homem, sob este aspecto. O homem devia ter herdado a criatividade de Deus e participar no Seu trabalho de criação. Assim, o homem pode também desfrutar da autoridade de um mestre, que o capacita a dominar todas as coisas da posição de criador, tal como Deus, o Criador do homem, tem domínio sobre o homem (Gn 1.28). Esta é a diferença entre o homem e o restante da Criação. Assim, o homem alcança a perfeição somente depois de ter adquirido a capacidade de reger o resto da Criação, incluindo os anjos. Ele realiza isto passando pelo período do domínio indireto, cumprindo sua própria porção de responsabilidade e herdando a capacidade de criar de Deus. Por isso, o homem, que perdeu seu qualificativo de dominador por causa da queda, jamais poderá realizar a finalidade da criação a menos que passe pelo domínio indireto. Aqui ele pode restaurar seu domínio sobre todas as coisas, inclusive sobre Satanás, pela realização de sua porção de responsabilidade de acordo com o princípio de restauração. A providência de Deus da salvação tem sido prolongada por tanto tempo porque as figuras centrais na Sua providência da restauração têm repetidamente falhado no cumprimento da sua própria porção de responsabilidade.
Por maior que seja a graça da salvação através da cruz de Cristo, a providência da salvação batendo às portas do homem será anulada a não ser que o homem tenha fé, que é sua própria porção de responsabilidade. Deus concedeu o benefício da ressurreição através da crucifixão de Jesus, como sua própria porção de responsabilidade, mas resta a porção de responsabilidade do homem de crer (Jo 3.16, Ef 2.8, Rm 5.1).
(3) O Domínio Direto
O que é "domínio direto de Deus e qual é sua finalidade? O homem entra no domínio direto de Deus quando o esposo e a esposa realizam a finalidade do bem, através da perfeita ação de dar e receber de amor e beleza entre eles, de acordo com a vontade do sujeito, em perfeita unidade com o coração de Deus, tendo estabelecido o fundamento de quatro posições, tornando-se um só corpo unido. Por isso, o domínio direto é o reino da perfeição. Estamos destinados a transformar em realidade este domínio direto de Deus, porque ele deve existir para que a finalidade da criação possa ser realizada. Que significado tem o domínio direto de Deus para o homem?
Se Adão e Eva tivessem se aperfeiçoado, centralizando-se em Deus, tornando-se um só corpo unido para formar o fundamento de quatro posições no nível de família, e depois, em perfeita unidade com o coração divino, tivessem vivido a vida do bem, chamaríamos este estado de "domínio direto de Deus. Um homem em tal estado pode pôr em prática a vontade de Deus, compreendendo-a e experimentando o coração de Deus por detrás daquela Vontade. Assim como cada seção ou nervo do corpo é posto em ação pelo comando da mente humana, que é invisível, o homem haveria de cumprir a vontade de Deus em obediência ao seu comando, realizando assim a finalidade da criação.
A seguir, estudemos como o homem assume o domínio direto sobre todas as coisas. Quando o homem aperfeiçoado como sujeito e, o mundo físico como seu objeto, se tornam um só corpo unido centralizado em Deus e estabelecem o fundamento de quatro posições e, quando o homem assim realiza a finalidade do bem, através da perfeita ação de dar e receber de amor e beleza com o mundo físico, de acordo com sua vontade, em perfeita unidade com o coração de Deus, o homem atinge o domínio direto sobre todas as coisas.
SEÇÃO Vl
O Mundo Substancial Invisível e o Mundo Substancial
Visível Centralizando-se no Homem
1. O MUNDO SUBSTANCIAL INVISÍVEL E O MUNDO SUBSTANCIAL VISÍVEL
Já que o universo foi criado seguindo o modelo de um homem, que existe como imagem e semelhança das essencialidades duais de Deus, toda a existência, sem exceção, se assemelha à forma básica do homem, que consiste de mente e corpo (cf. parte I, Capítulo I, Seção I). Portanto, no universo existe não somente o mundo substancial visível, que se assemelha ao corpo humano, mas também o mundo substancial invisível, cujo modelo é a mente humana. Ao último damos o nome de mundo substancial invisível, porque não podemos percebê-lo com nossos cinco sentidos físicos, mas podemos percebê-lo com nossos cinco sentidos espirituais. O mundo invisível, como o mundo visível, é o mundo da realidade. Ele é de fato sentido e percebido através dos cinco sentidos espirituais. A estes dois mundos substanciais juntos damos o nome de "macrocosmo.
Assim como o corpo não pode agir sem um relacionamento com a mente, também o homem original da criação não pode agir sem um relacionamento com Deus. O mundo visível não pode desfrutar de seu valor de criação sem se relacionar com o mundo invisível. Da mesma maneira que não podemos entender o procedimento de um homem sem conhecer sua mente, nós realmente não conhecemos o significado fundamental da vida humana sem conhecer a Deus. Sem compreender o mundo invisível, não podemos conhecer de maneira perfeita o mundo visível. Portanto, o mundo invisível é o mundo subjetivo e o mundo visível é o mundo objetivo, sendo que o último funciona como uma sombra do primeiro (Hb 8.5). O homem, por ocasião de sua morte depois de sua vida no mundo visível, vai para o mundo invisível em um corpo espiritual, tendo se despido de sua "veste de carne" (Jó 10.11) e lá ele vive para sempre.
2. A POSIÇÃO DO HOMEM NO UNIVERSO
Primeiro, Deus criou o homem para ser o dominador do universo (Gn 1.28). O universo, exceto o homem, não tem a sensibilidade interna para com Deus. É por isso que Deus não domina o mundo diretamente, mas criando o homem de tal forma a ter toda sensibilidade para com o universo, Deus permite que ele governe o universo diretamente.
Ao criar o homem, Deus criou sua carne com os ingredientes tirados da água, da terra e do ar, os quais eram os principais elementos do mundo visível. Deus fez isto para possibilitar ao homem sentir e ter domínio sobre este mundo. Ele criou o homem espiritual com elementos espirituais para possibilitar-lhe sentir e dominar o mundo invisível. No Monte da Transfiguração, Moisés, que tinha morrido há mais de 1600 anos, e Elias, que tinha morrido há mais de 900 anos, apareceram a Jesus (Mt 17.3). Estes eram, de fato, os espíritos de Moisés e Elias. Somente o homem, que é formado tanto de carne como espírito, o que lhe possibilita dominar os mundos visível e invisível, pode ser o dominador dos dois mundos.
Segundo, Deus criou o homem para ser o mediador e o centro de harmonia no universo. Quando a carne e o espírito do homem, tornando-se um através da ação de dar e receber entre si, põem-se como objeto substancial de Deus, os mundos visível e invisível também se tornam objeto de Deus, unindo-se através da ação de dar e receber centralizada no homem. Desta forma, o homem é o mediador e centro de harmonia entre os dois mundos. Por isso, o homem é como o ar que faz com que um diapasão possa ressoar. Já que o homem foi criado para comunicar-se com o mundo invisível, ele deve refletir tudo o que acontece no mundo do espírito.
Terceiro, Deus criou o homem como o microcosmo substancial do todo. Deus primeiro criou o universo pelo desenvolvimento, em substância, do caráter e da forma do homem. Por isso, o homem espiritual é a encapsulação substancial do mundo invisível, já que Deus criou o mundo invisível como o desenvolvimento substancial do caráter e da forma do homem espiritual. Da mesma maneira, o homem físico é a encapsulação substancial do mundo visível, já que Deus criou o mundo visível como o desenvolvimento substancial do caráter e da forma do homem físico. Conseqüentemente, o homem é um microcosmo, a encapsulação do macrocosmo total.
Por causa da queda do homem, porém, toda a Criação perdeu seu dominador. Lemos em Romanos 8.l9 que a Criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus (homens restaurados da natureza original). Romanos 8.22 continua dizendo que "toda a Criação geme e está juntamente com dores de parto. O motivo é que a ação de dar e receber entre os mundos visível e invisível foi cortada devido à queda do homem, fazendo-os incapazes de se unirem, já que o homem devia ser seu mediador e centro de harmonia.
Jesus veio como um homem aperfeiçoado em carne e espírito. Por isso, ele era o microcosmo substancial do todo. É por isso que a Bíblia diz que Deus colocou todas as coisas sob os pés de Cristo (I Co l5 . 27). Jesus é nosso salvador. Ele veio ao mundo com a finalidade de aperfeiçoar os homens decaídos, esforçando-se para que se unissem a ele.
3. O RELACIONAMENTO ENTRE O HOMEM FÍSICO E O HOMEM ESPIRITUAL
(1) A Estrutura e a Função do Homem Físico
O homem físico consiste das essencialidades duais, mente física (sujeito) e corpo físico (objeto). A mente física possibilita ao corpo físico funcionar em atividades físicas, como a existência, a multiplicação e a proteção. O instinto do animal corresponde à mente física. Para que o corpo físico possa crescer em boa saúde, deve absorver ar e luz, os quais são o nutrimento invisível de natureza positiva, tirando ao mesmo tempo de todas as coisas os elementos materiais, que são o nutrimento visível de natureza negativa. Todos estes devem desempenhar uma perfeita ação de dar e receber através da circulação do sangue.
O bem ou o mal na conduta do homem físico traz uma influência ao homem espiritual, para torná-lo bom ou mau. O motivo é que o homem físico fornece um determinado elemento ao homem espiritual, ao qual damos o nome de "elemento de vitalidade". Em nossa vida diária, sabemos que nossa mente se alegra quando nosso corpo faz uma boa ação, mas sente angústia depois de uma conduta má. O motivo é que o elemento de vitalidade que pode ser bom ou mau de acordo com as ações do homem, é introduzido em nosso homem espiritual.
(2) A Estrutura e Função do Homem Espiritual
O homem espiritual, que existe como um ser substancial invisível, foi criado para ser um sujeito para com o homem físico e para ser sentido e percebido apenas através de nossos sentidos espirituais. Através do homem espiritual podemos nos comunicar diretamente com Deus e ter domínio sobre o mundo invisível, incluindo os anjos. Nosso homem espiritual é idêntico em sua aparência ao nosso homem físico e vive por toda a eternidade no mundo invisível, depois de sair do corpo físico. O homem deseja viver para sempre, porque ele tem em si mesmo o homem espiritual, que possui uma natureza eterna.
Este homem espiritual é formado das essencialidades duais de mente espiritual (sujeito) e o corpo espiritual (objeto). A mente espiritual é a parte central do homem espiritual, na qual Deus pode habitar. Nosso homem espiritual cresce através da ação de dar e receber entre o "elemento de vida" (positivo), proveniente de Deus, e o "elemento de vitalidade" (negativo), proveniente do homem físico. O homem espiritual não somente recebe o elemento de vitalidade do homem físico, mas também envia de volta um certo elemento, ao qual damos o nome de "elemento espiritual vivo". Verificamos que um certo homem, influenciado por um outro espírito mais alto, poderia sentir infinita alegria, como também o nascer de uma nova força dentro de si mesmo, ao ponto de possibilitar a ele curar uma doença crônica. Tais fatos ocorrem porque o homem físico recebe o elemento espiritual vivo do homem espiritual. Além disto, o homem espiritual só pode crescer no solo do homem físico. Por isto, o relacionamento entre o homem espiritual e o homem físico é como o que existe entre o fruto e a árvore. Quando a mente física responde aos desejos da mente espiritual, o homem físico age de acordo com a finalidade da mente espiritual. Então o homem físico recebe do homem espiritual elemento espiritual vivo. Isto traz bons sentimentos e energia ao homem físico. De modo semelhante, o homem físico, ao devolver um elemento de vitalidade sadio ao homem espiritual, traz-lhe uma influência para que ele cresça normalmente na direção do bem.
A verdade nos ensina o que a nossa mente espiritual deseja. Quando o homem vem a compreender, através da verdade, o que nossa mente espiritual deseja, e quando, colocando isto em prática, realiza sua porção de responsabilidade, então o elemento espiritual vivo e o elemento de vitalidade entram na ação de dar e receber para a finalidade do bem. O relacionamento entre o elemento espiritual vivo e o elemento de vitalidade correspondem ao relacionamento entre caráter e forma. Devido ao fato do elemento espiritual vivo estar sempre funcionando em todo indivíduo, sua mente original sempre se inclina para o bem, mesmo numa pessoa má. Contudo, a menos que o homem tenha uma boa vida, nem mesmo o elemento espiritual vivo poderá fazer coisa alguma para o melhoramento do homem físico. Além disto, não poderá também desfrutar de uma ação de dar e receber normal com o elemento de vitalidade. De modo semelhante, nosso homem espiritual só pode ser aperfeiçoado através de nossa vida física na terra.
Nosso homem espiritual deve aperfeiçoar-se pelo crescimento gradual através dos três estágios ordenados juntamente com nosso homem físico, centralizando-se na mente espiritual, de acordo com o Princípio da Criação. Um homem espiritual que está no estágio de formação é chamado "espírito de forma"; no estágio de crescimento, "espírito de vida" e no estágio de aperfeiçoamento, "espírito divino".
Quando o nosso homem espiritual e o homem físico estabelecem o fundamento de quatro posições pelo desempenho de uma perfeita ação de dar e receber, centralizando-se em Deus, fazendo assim um só corpo unido, o homem espiritual se torna um "espírito divino". Neste nível, o homem espiritual pode sentir e perceber tudo no mundo invisível. Já que todos os fenômenos espirituais assim percebidos pelo nosso homem espiritual são refletidos e ecoados em nosso homem físico, apresentando-se como fenômenos físicos, o homem finalmente vem a sentir fenômenos espirituais, até mesmo com os seus cinco sentidos físicos. O Reino de Deus no Céu é o lugar para onde vão os espíritos, a fim de lá viverem eternamente, depois de saírem de seus corpos físicos, depois de terem terminado sua vida física no Reino de Deus na Terra. O Reino de Deus no Céu pode ser realizado somente depois da realização do Reino de Deus na Terra.
A sensibilidade do nosso homem espiritual deve ser cultivada através do relacionamento recíproco com o homem físico durante sua vida física na Terra. Por isso o homem deve aperfeiçoar-se na Terra e aí experimentar o perfeito amor de Deus na Terra, para que seu homem espiritual experimente o perfeito amor de Deus no mundo substancial invisível depois de sua morte física. Assim, o caráter e a qualidade do homem espiritual são formados durante nossa vida terrena. O agravamento do mal no espírito de um homem decaído é devido à sua conduta pecaminosa durante sua vida terrena. De modo semelhante, o melhoramento do homem espiritual decaído se origina apenas através da redenção dos seus pecados durante sua vida física na Terra. Foi este o motivo pelo qual Jesus veio à Terra na carne a fim de salvar a humanidade pecaminosa. Por isso, devemos ter uma boa vida na Terra. Jesus deu a chave do Reino do Céu para Pedro (Mt l6. l9), e disse que tudo o que for ligado na Terra será ligado no Céu e tudo o que for desligado na Terra, será desligado no Céu (Mt l8.18), porque a finalidade primária da providência da salvação tem que, primeiro, ser realizada na Terra.
A destinação do homem espiritual é decidida por seu próprio homem espiritual, não por Deus. Originalmente, o homem foi feito de tal modo que, depois de sua perfeição, pudesse respirar o amor de Deus perfeitamente. Se um homem espiritual é incapaz de respirar este amor perfeitamente, por causa de sua conduta pecaminosa, ele sente dor quando se encontra diante de Deus, que é o sujeito do amor perfeito. Conseqüentemente, tal espírito vai automaticamente para o inferno, que é o mais distante lugar do amor de Deus. Além disso, a multiplicação do homem espiritual ocorre simultaneamente com a multiplicação do homem físico, através da vida física do homem, porque o homem espiritual foi criado para crescer somente no solo do homem físico.
(3) A Mente Humana do Ponto de Vista do ReIacionamento entre Mente Espiritual e Mente Física
O relacionamento entre a mente espiritual e a mente física é semelhante ao que existe entre caráter e forma. Quando as duas se tornam unidas, através da ação de dar e receber centralizando-se em Deus, o homem espiritual e o homem físico naturalmente se tornam uma só unidade harmoniosa. Esta ação de dar e receber entre a mente espiritual e a mente física produz um corpo unido - a mente humana -, que dirige o indivíduo para a realização da finalidade da criação.
O homem passou a ser ignorante com respeito a Deus, por causa da queda. Ele também se tornou ignorante com respeito ao padrão absoluto do bem. Mas, de acordo com a natureza original da criação, a mente humana sempre leva o homem para aquilo que julga ser bom. Esta força diretiva se chama consciência humana. Contudo, o homem decaído, sendo ignorante com respeito ao padrão absoluto do bem, não pode estabelecer o padrão absoluto da consciência. Conforme varia o padrão do bem, varia também o padrão da consciência, e isto causa freqüente conflito, mesmo entre aqueles que advogam uma vida conscienciosa. A parte da mente humana que corresponde ao caráter, que sempre leva o homem para o padrão absoluto do bem, é chamada "mente original" e, a que corresponde à forma, é chamada "consciência".
Por isso, quando o homem, devido à ignorância, estabelece um padrão de bem diferente daquele da natureza original da criação, a consciência humana se dirige para aquele padrão; mas a mente original o rejeita e procura modificar a direção da consciência para o padrão da mente original. Quando a mente espiritual e a mente física, que estão sob o cativeiro de Satanás, formam uma só unidade através da ação de dar e receber, o desenvolvimento do homem para a direção do mal é acelerado. Chamamos esta unidade de "mente má".

A mente original e a consciência do homem repelem a mente má e dirigem o homem para o bem, ajudando-o a separar-se de Satanás e a apresentar-se diante de Deus.

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